A (r)evolução da internet
Desde o advento da World Wide Web pelo físico inglês Tim Berners-Lee em 1991 podemos, independentemente do quanto conheçamos sobre o funcionamento das tecnologias de informática, perceber que as sociedades globalizadas vêm passando por impactantes transformações.
Mais precisamente, no caso brasileiro, podemos afirmar que o pontapé inicial rumo à informatização ampla da sociedade se deu no ano de 1999, com o surgimento dos primeiros provedores gratuitos de acesso à rede , ainda sob a tecnologia de conexão por meio de linha telefônica discada. As empresas e instituições começavam a ocupar o espaço da rede mundial, as pessoas começavam a se conectarem entre si por meio de recursos como emails, chats e programas de mensagens instantâneas. A internet era celebrada como mídia revolucionária, pois diferentemente dos veículos de comunicação de massa disponíveis até então, possibilitaria uma real interatividade e, portanto, o surgimento de uma mídia mais democrática.
Desde 1999, o site de buscas Google vinha crescendo, resultado o projeto de doutorado de dois californianos que não estavam satisfeitos com os sistemas de busca existentes até então, muito parecidos com catálogos telefônicos, organizando os endereços dos sites em diretórios separados por assuntos. O desenvolvimento dos mecanismos de busca do Google procurava funcionar no sentido de uma pesquisa contextual, ligando o máximo possível de páginas de web, rastreando todos os seus links e relacionando seus conteúdos. Em 2001 a empresa amplia seu alcance desenvolvendo e integrando vários aplicativos - busca de imagens, ferramentas de anúncios relevantes para cada site, entre outros. Essa tendência continua até hoje, a ponto de muitos acreditarem que o Google possa se tornar dentro de alguns anos um sistema operacional completo e online, com a maior parte das ferramentas disponíveis gratuitamente.
Paralelamente a esse desenvolvimento, outras abordagens de uso da internet vêm ganhando espaço. As redes sociais talvez sejam a que atualmente causam mais frisson. No Brasil o grande impacto inicial se dá no ano de 2004 com o Orkut, um site que, a princípio, não dispunha de qualquer conteúdo, sendo antes de mais nada uma mídia que permitia aos usuários colocarem seu perfil no site, conectarem-se com seus amigos e formarem comunidades baseadas em interesses compartilhados. Além do Orkut, várias outras mídias vêm ganhando cada vez mais adeptos, como os blogs, Youtube, Wikipedia e uma série de outros sites e ferramentas que permitem que pessoas comuns, nas extremidades capilares da rede mundial, se expressem e transformem a internet constantemente. Simultaneamente, a sociedade como um todo vai se modificando: relações de trabalho, relações de consumo, relações entre as pessoas, relações políticas... O recente fenômeno da "Obamania" foi, sem dúvida, alavancado pelo uso intensivo que a campanha eleitoral do atual presidente dos EUA fez da internet e das redes sociais.
Tentar prever como será a web no futuro e como ela transformará a sociedade talvez seja pretensão demais. De qualquer forma, não se pode negar que ela ruma para adquirir uma mídia cada vez mais aberta, passível de constantes modificações resultantes da interação entre as pessoas comuns - e das pessoas comuns entre as instituições, sejam elas privadas ou públicas, com ou sem fins lucrativos, de cunho cultural, político ou comercial. O cenário atual da rede propõe uma abordagem interativa. Ocupar espaço na internet deve significar abrir canais multidirecionais de comunicação. Manter uma abordagem tradicional, unidirecional de comunicação, significará, nesse sentido, manter-se isolado nesse mundo virtual. Virtual, sim, porém inegavelmente cada vez mais real.

